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Wang Yangming nasceu Wang Shouren em 1472, em Yuyao, na província de Zhejiang. O pai, Wang Hua, tinha passado em primeiro lugar no exame imperial de 1481. Yangming era o nome de estúdio do filho, tirado de uma gruta perto de casa onde ele se recolhia para estudar.
Desde menino, ele dizia que queria ser sábio, e não apenas aprovado nos exames. A escola oficial era a de Zhu Xi, filósofo do século XII, que ensinava o gewu (a investigação dos objetos do mundo): o princípio de tudo estaria fora, em cada planta e cada pedra, e o estudioso precisava extraí-lo dali.
Aos 20 anos, mais ou menos, Wang levou o método ao pé da letra. Sentou com um amigo diante dos bambus do quintal do pai para descobrir o princípio do bambu. O amigo desistiu no terceiro dia. Wang aguentou sete e caiu de cama. O bambu não ensinou nada.
Em Longchang, a dúvida voltou com outra cara. A Cronologia da vida dele, organizada pelo discípulo Qian Dehong, conta que Wang fez um inventário de si: já tinha largado ganhos e perdas, honras e desgraças. Restava uma única amarra, o medo da morte.
Foi para ela que ele talhou o sarcófago. Diante da pedra, fez um juramento curto:
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“Eu só espero o destino, e mais nada.”
Wang Yangming, registrado por Qian Dehong na Cronologia de Wang Yangming, 1563
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Wang não talhou o caixão para acabar em Longchang. Talhou para parar de temer a pedra.
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As noites seguiram assim. Ele praticava o jingzuo (sentar em quietude), de olhos abertos, com o caixão a um braço de distância. De dia, como os criados não levantavam, cortava a lenha, buscava água e cozinhava mingau de arroz para eles. À noite cantava canções da terra natal para distraí-los da febre.
Numa dessas noites, ainda em 1508, ele pulou do assento e gritou. Os criados acordaram assustados. Wang tinha achado, enfim, a resposta procurada desde os bambus: “O caminho do sábio está inteiro na minha própria natureza; buscar o princípio nos objetos lá fora foi o meu erro.”
Sem livros na gruta, ele conferiu a descoberta contra os clássicos que sabia de memória e achou que batiam. Escreveu as conclusões num volume que chamou de Opiniões sobre os Cinco Clássicos.
Os vizinhos miao e yi, desconfiados no começo, viram o forasteiro trabalhar para os próprios criados e ergueram para ele uma casa de madeira. Wang batizou o lugar de Helou Xuan (o pavilhão sem rudeza), citando Confúcio: onde mora um homem de bem, não existe lugar rústico.
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