A resposta de ontem Quanto Mill pagou a Carlyle pelo manuscrito queimado? Mill mandou 200 libras, quase o custo de um ano inteiro da casa de Cheyne Row. Carlyle recusou metade e ficou com 100, a soma que calculou ter gasto para se manter nos meses de escrita perdidos, como registram as cartas dele de março de 1835. |
Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em 5 de maio de 1865 em Mimoso, vilarejo do Mato Grosso. Perdeu o pai antes de nascer e a mãe aos dois anos. Foi criado pelo avô e depois por um tio em Cuiabá. Pelo lado materno, descendia de indígenas terenas e bororos.
Aos 16 anos foi para a capital do Império estudar na Escola Militar da Praia Vermelha. Lá conheceu o positivismo, a doutrina do filósofo francês Auguste Comte, que pregava o progresso pela ciência e via os povos indígenas como nações livres, com direito à própria terra.
Engenheiro militar, passou a juventude estendendo fio de telégrafo pelo sertão. Em 1907 recebeu a missão maior: chefiar a Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas do Mato Grosso ao Amazonas, que a imprensa logo apelidou de Comissão Rondon.
Foi nessa obra, em território nambiquara, que a flecha chegou. Rondon ia à frente da coluna quando o disparo saiu do mato. A ponta bateu na bandoleira de couro (a correia que prende o fuzil ao ombro) e ficou presa ali. Por poucos centímetros, não entrou no peito.
Os soldados levantaram as armas. Rondon mandou baixar. Os relatos da comissão contam que ele autorizou só tiros para o alto, para assustar, e ordenou o recuo. Ninguém atirou contra o mato.
A regra já existia por escrito, e ele a repetia aos oficiais nos acampamentos:
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“Morrer, se preciso for; matar, nunca.”
Cândido Rondon, instrução à Comissão Rondon, década de 1910
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O preço apareceu em 1909, na marcha mais longa da comissão. A coluna saiu de Tapirapuã em maio e só alcançou o rio Madeira no fim de dezembro. A comida acabou no caminho, a febre derrubou dezenas, e houve homens enterrados pela picada sem ver o rio.
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Rondon trocou a segurança da tropa pela vida de quem atirava nela, e assumiu a troca por escrito.
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Nenhum nambiquara foi caçado como vingança. A comissão deixava nas trilhas presentes pendurados nos galhos: facões, machados, miçangas, panos. Era o recado de quem queria passar sem tomar.
Com o tempo, os presentes passaram a sumir dos galhos e as flechas rarearam. Os primeiros encontros pacíficos com grupos nambiquaras aconteceram ainda durante a obra, sem um tiro disparado contra eles pela coluna.
Rondon anotava tudo em cadernetas: a altitude de cada serra, o nome de cada rio, as palavras nambiquaras que os intérpretes conseguiam aprender. Queria que o próximo a passar por ali chegasse falando, e não atirando.
A linha ficou pronta em 1915. Ligou Cuiabá ao Madeira, pôs no mapa rios que ninguém tinha medido e deixou estações de telégrafo onde antes só havia mata.
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