A resposta de ontem Que prêmio a família de Arkhipov recebeu em 2017? O primeiro Future of Life Award, criado pelo Future of Life Institute, entidade americana dedicada a riscos de catástrofe global. A filha Elena Andriukova e o neto Serguei receberam a homenagem e 50 mil dólares em 27 de outubro, exatos 55 anos depois do sábado no B-59. |
Tenzing Norgay e Edmund Hillary deixaram a barraca do último acampamento, a uns 8.500 metros, às 6h30 de 29 de maio de 1953. As botas de Hillary tinham congelado durante a noite, e ele passou uma hora aquecendo o couro sobre o fogareiro.
A expedição britânica, chefiada pelo coronel John Hunt, já tinha mandado outra dupla. Em 26 de maio, Tom Bourdillon e Charles Evans chegaram ao Cume Sul, cerca de 100 metros abaixo do topo, e voltaram com o aparelho de oxigênio falhando.
Hunt escolheu a segunda dupla pela força, não pela bandeira. Hillary, apicultor de Auckland, tinha subido montanhas na Nova Zelândia e no Himalaia. Tenzing era o sirdar (o chefe dos carregadores) da expedição e o alpinista mais acostumado à altitude do grupo.
Tenzing estava na sétima expedição ao Everest. Em 1952, com o suíço Raymond Lambert, tinha chegado a uns 8.600 metros e recuado. No pescoço, levava o cachecol vermelho que Lambert lhe dera.
Perto do topo, uma parede de rocha de uns 12 metros barrava a aresta. Hillary se enfiou numa fenda entre a pedra e a cornija (a borda de neve que avança sobre o abismo) e subiu se empurrando com as costas. Tenzing veio atrás, pela corda.
A parede ganhou depois o nome de Escalão Hillary. Acima dela, a aresta seguia em lombadas de neve. Hillary ia à frente, abrindo degraus com o piolet (o machado de gelo do alpinista), e Tenzing dava corda.
Às 11h30, a neve parou de subir. Os dois estavam amarrados um ao outro por uns dez metros de corda. Quem deu o último passo, eles guardaram por dois anos.
No topo, apertaram as mãos, e Tenzing abraçou o companheiro. Hillary tirou a foto que ficou: Tenzing com o piolet erguido, quatro bandeiras amarradas no cabo, da ONU, do Reino Unido, do Nepal e da Índia.
Não existe foto de Hillary no cume. Tenzing nunca tinha usado uma câmera, e Hillary achou que a 8.848 metros não era hora de ensinar. Ficaram uns 15 minutos lá em cima.
Na volta, encontraram no colo sul o neozelandês George Lowe, que subira para recebê-los com sopa quente. Hillary deu a notícia ao amigo antes de qualquer jornal.
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Na única foto do cume, o homem que aparece é o que deixou a dúvida no ar.
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A descida virou disputa antes de eles chegarem a Catmandu. Hunt e Hillary receberam da rainha o título de cavaleiro. Tenzing recebeu a Medalha George, condecoração civil britânica, um degrau abaixo.
Na capital nepalesa, a multidão cercou o cortejo da expedição. A declaração combinada saiu assinada pelos dois e encerrou o assunto no papel, sem encerrar nas ruas.
Em 1955, Tenzing publicou a autobiografia Tiger of the Snows (Tigre das Neves), ditada ao escritor americano James Ramsey Ullman. Ali contou que Hillary pisou primeiro no cume, e ele logo depois.
Escreveu também que não se envergonhava de ter sido o segundo. Para ele, a montanha tinha recebido os dois na mesma corda, e a pergunta das ruas nunca tinha sido feita lá em cima.
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