A resposta de ontem O que Tenzing enterrou na neve do cume do Everest? Chocolates, biscoitos, um punhado de balas e um lápis que a filha Nima lhe dera, como oferenda budista aos deuses do Chomolungma, o nome tibetano da montanha. Ao lado, Hillary enterrou um pequeno crucifixo que o coronel John Hunt lhe entregara. Tenzing contou a oferenda em Tiger of the Snows, de 1955. |
Em 27 de outubro, o sábado que Washington chamou depois de Sábado Negro, o B-59 estava submerso a sudeste das Bermudas, no Mar dos Sargaços. O grupo do porta-aviões USS Randolph tinha achado o rastro dele e não largava.
Na tarde de 30 de junho de 1936, o presidente da assembleia, o primeiro-ministro belga Paul van Zeeland, chamou o delegado da Etiópia. Hailé Selassié caminhou até a tribuna de capa preta, baixo, de barba, sem escolta.
Quando ele chegou ao microfone, a galeria da imprensa explodiu em assobios. Eram jornalistas italianos, mandados a Genebra pelos jornais do regime. Gritavam insultos e sopravam apitos.
O delegado romeno Nicolae Titulescu se levantou e gritou para os seguranças, em francês: “À la porte les sauvages!” (para fora com os selvagens). Os selvagens, na frase dele, eram os jornalistas.
A polícia suíça subiu à galeria e retirou os homens um a um. Alguns passaram horas detidos.
Durante a confusão, Selassié não disse nada. Ficou de pé diante do microfone, com as folhas na mão, olhando para a sala. Só começou quando o último apito parou.
Falou em amárico (a língua oficial da corte etíope), embora dominasse o francês, idioma diplomático da Liga. A tradução em francês e inglês já estava nas mesas dos delegados.
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Diante da sala que tinha prometido protegê-lo, o imperador escolheu a própria língua e a própria hora.
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O discurso abriu formal. Ele estava ali, disse, para reclamar a justiça devida ao seu povo e a assistência prometida oito meses antes.
Depois descreveu o gás. Contou que os aviões levavam pulverizadores para soltar uma chuva fina sobre soldados, mulheres, rebanhos, rios e lagos, e que ele próprio tinha visto os efeitos na frente de batalha.
Lembrou o artigo 16 do Pacto da Liga, que obrigava os membros a agir contra o agressor. Perguntou aos 52 países presentes se aceitariam ver um Estado pequeno engolido por um grande.
A frase mais repetida daquela tarde vem de testemunhas e biógrafos: “Hoje somos nós. Amanhã serão vocês.” Ela não aparece no texto oficial publicado pela Liga. O texto impresso termina com uma pergunta aos delegados: que resposta ele devia levar ao seu povo.
A resposta veio em 4 de julho. A assembleia votou a suspensão das sanções contra a Itália, e elas deixaram de valer no dia 15. Selassié saiu de Genebra sem nada no papel.
A Liga ainda recusou reconhecer a anexação da Etiópia, e a delegação etíope manteve a cadeira na assembleia. Era um gesto sem tropa nem dinheiro atrás.
Três anos depois, a Alemanha invadiu a Polônia, e a guerra chegou aos países que tinham votado.
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