In partnership with

Fortaleza Interior   Fortaleza Interior
ED 173
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores na votação de ontem.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O Fogão de Charles Goodyear

Em 1839, uma mistura de borracha e enxofre caiu numa chapa quente e endureceu. O inventor passou o resto da vida devendo.

Fogão de ferro antigo com uma placa de borracha chamuscada sobre a chapa.

Woburn, 1839: a borracha que não derreteu

▼
 

Borracha crua derrete no calor e racha no frio. Charles Goodyear passou cinco anos tentando quebrar essa regra, boa parte deles sem dinheiro para o aluguel.

Nos anos 1830, a goma elástica tirada das seringueiras da Amazônia virou febre nos Estados Unidos. Fábricas em Massachusetts faziam capas, botas e boias de borracha. No primeiro verão quente, as peças amoleciam, grudavam umas nas outras e cheiravam a podre. Os estoques acabaram enterrados em valas, e as empresas quebraram.

Goodyear nasceu em New Haven, Connecticut, em 1800, filho de um fabricante de ferragens. A loja da família na Filadélfia faliu em 1830, e ele conheceu a cadeia de devedores, a prisão onde o credor podia trancar quem não pagava.

Em 1834, entrou na loja da Roxbury India Rubber Company em Nova York para oferecer uma válvula nova para boias. O gerente ouviu com paciência e mostrou o depósito: pilhas de mercadoria derretida, devolvida pelos clientes. A válvula não interessava. O material estava doente.

Goodyear decidiu curar o material. Não tinha laboratório, sócio fixo nem formação em química. Tinha uma cozinha, a mulher, Clarissa, e filhos pequenos.

Voltou à prisão por dívida repetidas vezes nos anos seguintes. Numa dessas temporadas, pediu a Clarissa que levasse à cela uma porção de goma crua e um rolo de abrir massa. Amassava a borracha entre uma visita e outra, misturando o que conseguia: magnésia, cal, ácido nítrico.

Fora da cadeia, vendia os móveis da casa para comprar matéria-prima e pedia dinheiro emprestado a parentes. Cada fórmula nova parecia funcionar até o termômetro subir. Os vizinhos o apontavam na rua como o homem de roupa, sapato e chapéu de borracha, todos remendados.

Em 1838, em Woburn, Massachusetts, ele encontrou um homem que guardava um pedaço da resposta.

O que Goodyear fez com esse pedaço, e o preço que pagou por ele, vem a seguir.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Your Backyard, All Four Seasons

Most backyards get about 90 good days a year. Yours could get 365.

Think about the moments you keep postponing "until summer": the birthday dinner outside, the Sunday morning coffee, the late-night talks with friends. A Hansø pergola stops the waiting. 

Adjustable louvers let you chase the sun or shut out the rain. The structure is built from T6 aerospace-grade aluminum and engineered for up to 167 mph winds and up to 65 PSF snow load, so it's still standing strong when the weather isn't.

Early Bird Offers LAST CHANCE: save up to 40% on pergolas, plus a $1,000 installation voucher*, a Free Hansø ProCheck Care™ 10-Year Plan worth $950, and some FREE accessories to keep fall and winter evenings cozy.

Most pergolas are just for summer. Yours is for every season.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Pedra

A chapa quente de Woburn

O homem era Nathaniel Hayward, antigo funcionário da Eagle India Rubber Company, uma fábrica de Woburn. Hayward tinha notado que a borracha polvilhada com enxofre perdia a pegajosidade na superfície. Goodyear comprou os direitos da ideia e contratou Hayward como ajudante.

O próprio Goodyear contou a cena no livro Gum-Elastic and Its Varieties (Goma elástica e suas variedades), de 1853. Foi no inverno de 1839, numa loja de Woburn. Ele mostrava a mistura de goma e enxofre a um grupo de curiosos, gesticulou, e um pedaço caiu sobre a chapa de um fogão aceso.

Borracha no fogo sempre tinha escorrido como melado. Aquele pedaço não escorreu. Chamuscou nas bordas como couro e, no centro, ficou firme e elástico.

Goodyear pregou a amostra do lado de fora da porta e a deixou a noite inteira no frio. De manhã, ela dobrava sem rachar.

Ele tinha achado a vulcanização (a cura da borracha com enxofre e calor). O calor amarra as moléculas da goma umas às outras com pontes de enxofre, e a massa deixa de escorrer no verão e de quebrar no inverno.

Faltava saber quanto calor e por quanto tempo. Goodyear levou mais cinco anos de fornadas caseiras, no forno da cozinha e em panelas de vapor, para acertar a receita. A família viveu de empréstimos e de favores durante esses anos.

A patente americana número 3.633 saiu em 15 de junho de 1844.

Goodyear achou a fórmula num acidente que só aconteceu porque ele estava, havia cinco anos, com a mistura na mão.

Na Inglaterra, Thomas Hancock, fabricante de borracha em Londres, tinha recebido amostras de Goodyear levadas por um intermediário. Examinou o material, deduziu o papel do enxofre e registrou patente britânica em 1843, semanas antes do pedido do americano. Um amigo de Hancock, William Brockedon, batizou o processo em honra a Vulcano, o deus romano do fogo e da forja.

Nos Estados Unidos, as cópias se multiplicaram. Em 1852, em Trenton, Nova Jersey, Goodyear enfrentou o fabricante Horace Day no processo que os jornais chamaram de Grande Caso da Borracha. O advogado dele era Daniel Webster, então secretário de Estado. Goodyear venceu.

O dinheiro da vitória sumiu em novos processos e em vitrines. Em 1855, ele montou um salão inteiro de objetos de borracha na Exposição Universal de Paris. Os credores franceses o levaram para Clichy, a cadeia de devedores de Paris. Foi lá dentro que ele soube da Legião de Honra, a condecoração dada por Napoleão III.

Em 1860, Goodyear viajou para New Haven para ver a filha Cynthia, que estava muito doente. Em Nova York, recebeu a notícia de que ela já tinha partido. Desmaiou, foi levado a um hotel e morreu em 1 de julho, aos 59 anos.

Deixou dívidas de cerca de 200 mil dólares, segundo o biógrafo Charles Slack no livro Noble Obsession, de 2002.

 
 

II  O Princípio

O impedimento vira caminho

O credor tirou de Goodyear a rua, a loja e o salário. Não tirou as mãos nem a goma que Clarissa levava na cesta. Ele trabalhou com a parte que sobrou.

Marco Aurélio, imperador romano e estoico, escreveu nos cadernos que guardava para si uma regra sobre o obstáculo. O estoicismo, a escola grega que separa o que depende de nós do que não depende, não promete que a barreira some. Promete que ela pode virar material de trabalho:

“O impedimento à ação faz a ação avançar. O que está no caminho se torna o caminho.”

Marco Aurélio, Meditações, livro 5, seção 20, escrito entre 170 e 180.

Nenhum registro mostra Goodyear lendo o imperador. Mesmo assim, ele fez o movimento descrito no livro 5. A cela virou mesa de testes, a cozinha virou forno e a vergonha pública virou vitrine: ele vestia a borracha para mostrar a quem passasse.

O fogão de Woburn costuma ser contado como sorte. Goodyear discordava. No livro de 1853, escreveu sobre si mesmo na terceira pessoa e disse que o acidente só teve sentido para quem estava atento ao que procurava. Muita gente já tinha visto borracha cair no fogo. Só um homem com cinco anos de fracassos sabia ler aquele couro queimado.

Há um custo escondido no mesmo princípio. A persistência de Goodyear também quebrou a casa dele. Pegou dinheiro de parentes que não recebeu de volta, levou os filhos à pobreza e voltou à cadeia porque não parava de gastar com a próxima tentativa.

Marco Aurélio não manda insistir em qualquer direção. Manda usar o obstáculo, e o uso pede duas respostas claras: qual é o objetivo e qual é a barreira. O objetivo de Goodyear era a borracha estável, e ele acertou. Dinheiro nunca entrou no objetivo, e ele errou com dinheiro até o último ano.

Ele deixou escrita a própria defesa no mesmo livro: “A vida não deve ser medida só pelo padrão dos dólares e centavos. Não me queixo de ter plantado enquanto outros colheram. O homem só tem motivo de lamento quando semeia e ninguém colhe.”

No trabalho, o obstáculo chega como verba cortada, prazo encurtado ou um chefe que diz não ao projeto. Cada barreira dessas leva uma ferramenta embora e deixa outras na mesa.

Em casa, chega como a noite em que o filho demora a dormir e o plano de estudar cai. Sobram vinte minutos e um caderno. A pergunta estoica é o que cabe nesses vinte minutos.

O obstáculo escolhe o terreno. Quem trabalha nele escolhe o que fazer com a terra.

 

Quem banca a edição de hoje

Become an email marketing GURU.

Is your email strategy due for a tune-up? GURU Conference (powered by Constant Contact) is back Nov 12–13, 100% free and virtual. You'll get email tactics you can steal the same day from top B2B and B2C marketers. Last year, 29,000+ marketers showed up. Save your free spot.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  A Forja do Dia

Liste o que sobrou na cela

A prática de hoje copia a cela da Filadélfia. Escolha um projeto seu travado por um obstáculo que você não controla e trabalhe só com o que ficou nas suas mãos.

1. Manhã, nomeie o objetivo: uma linha com o resultado que você quer, sem o caminho. Goodyear queria borracha que aguentasse o verão, não uma fábrica.

2. Manhã, nomeie a barreira: escreva o que travou, com data e nome. Verba negada, prazo cortado, saúde, filho doente.

3. Tarde, liste o que sobrou: tempo, uma ferramenta, uma pessoa, uma habilidade. Goodyear tinha goma, um rolo de massa e as visitas da mulher.

4. Tarde, faça um teste pequeno: use um item da lista num experimento de até trinta minutos. Anote o resultado como ele anotava as fórmulas.

5. Noite, separe objetivo e custo: escreva quanto o teste custou em dinheiro, sono e família. Se o custo cresce e o objetivo não anda, pare e mude o teste.

Um exemplo de escritório. A verba do projeto foi cortada pela metade. O objetivo continua o mesmo, entregar o relatório ao cliente. Sobrou a planilha antiga e uma colega que conhece o cliente. O teste de hoje é uma ligação de vinte minutos com ela.

Um exemplo de casa. O plano era ler uma hora por noite, e o bebê acorda às onze. Sobram os quinze minutos do café da manhã. O livro fica aberto na mesa da cozinha, e o teste é ler três páginas antes do pão.

O passo 3 dá mais trabalho. Quem está travado olha para o que perdeu e não vê o que ficou. A lista força o olho para a cesta de Clarissa.

O passo 5 é o que Goodyear pulou. Ele media cada fórmula com cuidado e nunca mediu o que a família pagava por elas.

O teste pequeno mantém a mistura na mão para o dia em que o fogão estiver quente.

Qual obstáculo seu já está no caminho há tempo suficiente para virar o caminho?

Em 1898, Frank Seiberling fundou em Akron, Ohio, uma fábrica de pneus e a batizou em homenagem ao inventor.

Nenhum Goodyear era sócio.

 
 
Quiz da edição

No Grande Caso da Borracha, julgado em Trenton em 1852, quem defendeu Charles Goodyear no tribunal contra o fabricante Horace Day?

AThomas Hancock
BWilliam Brockedon
CDaniel Webster
DNathaniel Hayward

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🛡️🛡️🛡️🛡️🛡️  ótima 🛡️🛡️🛡️🛡️  boa 🛡️🛡️🛡️  ok 🛡️🛡️  ruim 🛡️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 04/11, 15h30

A O Espelho de Frida Kahlo →
B A Travessia de Nando Parrado →
C A Gagueira de Jorge VI →
D Mandela em Robben Island →
 
Recomendação de Newsletter
Best-Seller do Dia

Best-Seller do Dia

Um best-seller por dia com os destaques, o preço de hoje e as páginas, em três minutos. No seu email às 12:12.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 

Fortifique-se. Intus robur.

Fortaleza Interior

FORTALEZA INTERIOR

Construa o que não quebra

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo

Keep Reading

View
caret-right