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Abd al-Rahman ibn Khaldun nasceu em Túnis em 27 de maio de 1332, numa família de origem andaluza que servia a governos havia gerações. Estudou o Alcorão, direito e lógica com os mestres da cidade.
Aos 16 anos, viu a Peste Negra chegar a Túnis, em 1348, e levar os pais dele e a maior parte dos professores. Escreveria depois que a epidemia apagou cidades inteiras e mudou a face da terra habitada.
Aos 20 já trabalhava na corte. Em Fez, o sultão marínida (da dinastia berbere que governava o Marrocos) o fez secretário, e ali ficou preso cerca de 21 meses, entre 1357 e 1358, acusado de conspirar. Em 1364, Granada o mandou a Sevilha negociar paz com Pedro I de Castela, que lhe ofereceu terras para ficar. Ele recusou.
No castelo, a rotina mudou de eixo. Ele queria escrever uma história universal dos árabes, dos berberes e dos povos vizinhos. Antes da história, decidiu escrever as regras: por que tantos relatos são falsos, como nascem as cidades, por que os reinos caem.
Essa introdução virou a Muqaddimah (em árabe, “Introdução”). Na autobiografia, chamada Al-Tarif (“A Apresentação”), ele descreve o ritmo do trabalho:
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“Completei a introdução dessa maneira notável, inspirado pelo retiro, com palavras e ideias derramando na minha mente como a nata na batedeira de manteiga.”
Ibn Khaldun, Al-Tarif, autobiografia revisada até 1405
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Segundo o mesmo relato, o rascunho saiu em cinco meses e ficou pronto em meados de 1377, ano 779 do calendário islâmico. Nenhuma biblioteca o acompanhava; escreveu quase tudo de memória.
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Cinco meses longe da corte renderam o que vinte anos dentro dela não tinham rendido.
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A memória cobrou o preço. Faltavam livros para conferir datas e genealogias, e ele sabia. Em 1378 pediu licença ao sultão hafsida (a dinastia que governava Túnis) para voltar à cidade natal, onde estavam as bibliotecas.
Em Túnis, completou a obra inteira, o Kitab al-Ibar (“Livro das Lições”), e entregou uma cópia ao sultão. A corte voltou a cercá-lo de inveja, e em 1382 ele embarcou para o Egito, alegando peregrinação a Meca.
No Cairo, virou professor e juiz da escola maliki (uma das quatro escolas do direito islâmico sunita). Em 1384, a mulher e as filhas, que vinham encontrá-lo, se perderam num naufrágio perto de Alexandria. Em 1401, no cerco de Damasco, conversou por semanas com Tamerlão, o conquistador turco-mongol. Revisou a Muqaddimah até 1406, quando encerrou a vida no Cairo.
As ruínas de Qalat ibn Salama seguem de pé perto de Frenda. A tradição local aponta uma gruta como o lugar onde ele escrevia, mas nenhum documento da época diz em que sala ou gruta o rascunho nasceu; a pergunta segue sem resposta documentada.
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