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Galileu Galilei nasceu em Pisa, em 15 de fevereiro de 1564, filho do músico Vincenzo Galilei. Ensinou matemática em Pisa e em Pádua e, em 1610, apontou uma luneta para Júpiter e viu quatro luas girando em volta dele.
O título completo do livro de Arcetri era Discorsi e dimostrazioni matematiche intorno a due nuove scienze (Discursos e demonstrações matemáticas sobre duas novas ciências). As duas ciências eram a resistência dos materiais e o movimento dos corpos.
A primeira tentativa de impressão foi em Veneza, em 1634. O frei Fulgenzio Micanzio, amigo de Galileu, levou o pedido ao inquisidor local, que respondeu com a ordem vinda de Roma: proibido imprimir qualquer obra do autor.
Galileu procurou então editoras longe do alcance do Santo Ofício. Cópias de trechos seguiram para Viena e para Olomouc, na Morávia, por meio de Giovanni Pieroni, engenheiro militar a serviço do imperador. Nenhuma das duas impressões avançou.
A saída veio da Holanda. Em 1636, Lodewijk Elzevier, da família de impressores de Leiden, viajava pela Itália comprando livros e passou por Arcetri. Saiu de lá com o compromisso de publicar o texto.
O manuscrito não viajou de uma vez. As folhas seguiram aos poucos, por Veneza, ao longo de 1636 e 1637, enquanto Galileu ainda corrigia o final. Em Leiden, cidade de maioria calvinista, a ordem dos cardeais não valia nada.
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A sentença tinha força de lei na Itália, e só nela.
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Faltava uma proteção para o autor preso. A dedicatória foi endereçada a François de Noailles, embaixador da França em Roma e antigo aluno de Galileu em Pádua. Nela, o autor conta que entregara uma cópia ao conde por amizade e que soube depois, com surpresa, que os Elzevier a tinham posto no prelo.
A história da surpresa servia de escudo. Se o tribunal perguntasse, a impressão tinha acontecido sem o consentimento dele, longe dele e por mãos estrangeiras. Ninguém em Roma abriu processo novo.
O texto tem a forma de uma conversa de quatro dias entre três personagens, Salviati, Sagredo e Simplicio. São os mesmos três do Diálogo que o levara ao tribunal, e Galileu não trocou nenhum deles.
O livro saiu em Leiden em 1638. Quando os primeiros exemplares chegaram a Arcetri, Galileu já não podia ler uma linha. Pediu que lessem para ele.
Viveu mais quatro anos na villa, ditando cartas e correções a dois jovens assistentes, Vincenzo Viviani e Evangelista Torricelli. Partiu em 8 de janeiro de 1642, aos 77 anos, ainda sob confinamento.
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