A resposta de ontem Em que dia Selassié voltou a entrar em Adis Abeba? Em 5 de maio de 1941, exatos cinco anos depois de Badoglio tomar a capital. Selassié voltou com tropas etíopes e a Gideon Force do oficial britânico Orde Wingate, depois de a Itália perder a África Oriental na Segunda Guerra. Reinou até 1974. |
Em 27 de julho de 1656, na sinagoga da congregação Talmud Torá, em Amsterdã, o conselho dos parnassim (os dirigentes leigos da comunidade) mandou ler o herem (a excomunhão judaica) contra Baruch de Espinosa.
O texto, escrito em português, falava das “más opiniões e obras” do jovem e das “horrendas heresias que praticava e ensinava”. O texto não dizia quais eram. Os registros da comunidade não guardaram a lista, e os historiadores discutem o motivo exato até hoje.
A pena, essa sim, vinha clara. Espinosa ficava excluído e afastado do povo de Israel, “maldito de dia e maldito de noite, maldito em seu deitar e maldito em seu levantar”.
Junto vinham instruções práticas. Ninguém podia falar com ele por boca nem por escrito, fazer-lhe qualquer favor, ficar sob o mesmo teto ou a menos de quatro côvados (cerca de dois metros) dele, nem ler papel algum feito ou escrito por ele.
O herem era comum em Amsterdã. A comunidade usava a pena contra quem comprava carne de açougue não autorizado ou desrespeitava o conselho, e quase sempre ela caía depois de um pedido de perdão e uma multa. A de Espinosa foi a mais dura registrada ali, e o texto não previa volta.
Espinosa não estava na sinagoga. Não mandou carta ao conselho, não pediu audiência, não pagou multa. Pierre Bayle, no Dicionário Histórico e Crítico de 1697, conta que ele escreveu em espanhol uma defesa contra a sinagoga; nenhuma cópia foi encontrada, e ninguém sabe se ela existiu.
A família obedeceu ao decreto. Gabriel seguiu com a firma sem o irmão e anos depois emigrou para a ilha caribenha de Barbados, e dali para a Jamaica. As irmãs também se afastaram.
|
O decreto cortou a fala dos outros com ele; deixou intacta a conversa dele consigo mesmo.
|
Espinosa trocou o nome. Baruch quer dizer “bendito” em hebraico; ele passou a assinar Bento, em português, e Benedictus, em latim. O sentido continuou o mesmo, em outra língua.
Também trocou de ofício. Deixou o comércio e aprendeu a polir lentes, o vidro curvo usado em óculos, microscópios e telescópios. Era trabalho de oficina, feito à mão com um torno, areia e pó cada vez mais fino.
Ficou alguns anos em Amsterdã e, em 1661, mudou para Rijnsburg, vila perto de Leiden. Em 1663 foi para Voorburg, e em 1670 para Haia, sempre em quartos alugados.
As lentes saíam boas o bastante para os cientistas da época. O físico holandês Christiaan Huygens, que construía telescópios, elogiou o polimento dele em cartas ao irmão Constantijn.
|