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Elbert Martin, estenógrafo da campanha e ex-jogador de futebol americano, pulou sobre Schrank e o derrubou na calçada. A multidão avançou para linchar o atirador.
Roosevelt gritou para pararem. Mandou trazer o homem até o carro, olhou para ele por alguns segundos e pediu que o entregassem à polícia.
Depois enfiou a mão por dentro do casaco. Os dedos voltaram vermelhos. Então levou a mão à boca, tossiu com força algumas vezes e olhou a palma. Estava limpa.
Roosevelt conhecia ferimentos de caçador e de soldado. Tinha comandado os Rough Riders (Cavaleiros Rústicos, o regimento voluntário de cavalaria) em Cuba, em 1898. Sabia que bala no pulmão traz sangue na tosse. Sem sangue, concluiu, o pulmão estava inteiro.
Os médicos da comitiva pediram que fosse direto ao hospital. Ele respondeu que faria o discurso, e o carro seguiu para o Auditório.
No palco, o organizador anunciou o atentado, e a plateia achou que era exagero. Roosevelt deu um passo à frente e abriu assim: “Amigos, vou pedir que fiquem o mais quietos possível. Não sei se entenderam bem que acabei de levar um tiro; mas é preciso mais do que um tiro para matar um Bull Moose.”
Em seguida abriu o casaco e mostrou a camisa manchada. Tirou o discurso do bolso e levantou as folhas: a bala tinha atravessado as 50 páginas dobradas, deixando um furo em cada uma.
O trajeto foi reconstruído depois pelos médicos. A bala furou o estojo de aço dos óculos, perdeu força no papel e parou encostada numa costela, sem alcançar o pulmão.
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O papel que ele ia ler freou a bala antes do osso.
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Roosevelt falou por quase noventa minutos. Pulava trechos, se apoiava no púlpito, e um assessor ficou perto dele o tempo todo, pronto para segurá-lo. Ele dispensou a ajuda até a última frase.
Só então aceitou o hospital. Passou pelo Johnston Emergency, em Milwaukee, e seguiu de trem para o Mercy Hospital, em Chicago. A radiografia mostrou a bala alojada contra a quarta costela direita. Os cirurgiões avaliaram que tirá-la era mais arriscado que deixá-la lá. Ele ficou internado cerca de uma semana.
Schrank disse à polícia que o fantasma do presidente William McKinley, assassinado em 1901, tinha aparecido num sonho pedindo vingança contra Roosevelt. Uma junta médica o declarou insano, e ele passou o resto da vida internado em hospitais psiquiátricos de Wisconsin, até 1943.
Wilson e Taft suspenderam os comícios enquanto o adversário se recuperava. Roosevelt voltou ao palanque em 30 de outubro, no Madison Square Garden. Na eleição, terminou em segundo, com 88 votos no colégio eleitoral, à frente de Taft. Wilson venceu.
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