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Washington Roebling se instalou numa casa no número 110 de Columbia Heights, no alto da margem do Brooklyn. A janela dava para a torre do lado do Brooklyn e para o rio inteiro, até a outra torre, em Manhattan.
O corpo não obedecia mais. Ele sentia dores fortes, enxergava mal, não aguentava barulho nem visitas longas. Escrever uma carta inteira o deixava exausto, e ler, só por alguns minutos de cada vez.
A mente seguia intacta. Roebling conhecia cada desenho do pai e cada cálculo dos cabos. Pela luneta, acompanhava os pedreiros nas torres de granito e, depois, os homens pendurados nos cabos sobre a água.
Faltava alguém para levar as ordens ao rio. Quem fez o trabalho foi a mulher dele, Emily Warren Roebling, de 29 anos, irmã do general Gouverneur Warren, um dos defensores da colina de Little Round Top na batalha de Gettysburg.
Emily não tinha formação de engenheira. Estudou em casa matemática superior, resistência dos materiais (o cálculo de quanto peso uma peça aguenta antes de ceder) e a catenária, a curva que um cabo faz quando fica pendurado pelas pontas.
A rotina se repetia todo dia. Ele ditava, ela escrevia. Ela descia ao canteiro, entregava as instruções aos engenheiros assistentes, como Charles Martin e Francis Collingwood, ouvia as dúvidas e voltava com elas para o quarto.
Em 1878, a obra descobriu uma fraude. O fornecedor J. Lloyd Haigh trocava, no portão, o arame aprovado nos testes por arame ruim, e uma parte dele já estava trançada nos cabos. Não havia como tirar o arame ruim sem desmontar meses de trabalho. Da cama, Roebling mandou acrescentar fios extras em cada cabo para compensar a falha e deixou o arame de Haigh onde estava.
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Roebling via a obra por um tubo de latão e a ouvia pela voz de Emily; nenhuma ordem chegava ao rio sem passar pelos dois.
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Em 1882, o novo prefeito do Brooklyn, Seth Low, propôs tirar Roebling do cargo, alegando que um engenheiro ausente não podia chefiar a obra. Emily foi falar aos diretores da ponte e à Sociedade Americana de Engenheiros Civis, a primeira mulher a discursar diante dela. Os diretores votaram pela permanência dele.
A ponte abriu em 24 de maio de 1883. Emily atravessou primeiro, de carruagem, com um galo no colo, símbolo de vitória. Roebling assistiu à festa pela janela, com a luneta. À noite, o presidente Chester Arthur subiu a escada da casa para cumprimentá-lo.
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