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Em 1º de maio de 1976, a Hokulea deixou a baía de Honolua, em Maui, rumo a Papeete, no Taiti, a cerca de 4.000 quilômetros ao sul. A bordo iam 17 pessoas. Nenhuma levava bússola, sextante ou carta náutica.
Mau Piailug ficava na popa. Dormia pouco, em cochilos curtos, sentado. À noite, acompanhava o ponto do horizonte onde cada estrela nascia e onde se punha; os navegadores das Carolinas dividem o horizonte em 32 desses pontos, e cada um tem nome.
De dia, sem estrelas, Mau lia as ondulações, as ondas longas que o vento distante empurra por milhares de quilômetros. Ele separava pelo balanço do casco a ondulação dominante das menores e mantinha a canoa no mesmo ângulo em relação a ela.
Ao cruzar a zona de calmarias perto do Equador, o céu fechou por dias. Chuva, nuvem baixa, nenhum astro à vista. Mau seguiu pelas ondulações, sentindo o mar pelos pés e pelo corpo, como aprendera nas poças de Satawal.
A tripulação não ajudou. Parte dos havaianos via com desconfiança os cientistas a bordo, a comida racionada gerou brigas, e houve quem trouxesse escondida bebida e maconha. Mau, o estrangeiro do barco, cogitou abandonar a missão.
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No convés, a briga era de todos; a leitura do mar era só dele, e ele não largou a leitura.
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Perto do fim, Mau passou a vigiar as aves. A andorinha-do-mar-branca dorme em terra e voa ao largo para pescar; ao entardecer, volta para a ilha. Quem vê o bando voltando sabe para onde fica o chão.
Mau também olhava a cor da água e as nuvens paradas no horizonte. Uma nuvem que não anda com as outras costuma estar presa sobre uma ilha, e o mar perto de recife muda de tom e de ritmo.
Em 2 de junho, a tripulação avistou Mataiva, um atol do arquipélago de Tuamotu, exatamente onde Mau esperava encontrar terra. Dali corrigiram o rumo para oeste, rumo ao Taiti.
Em 4 de junho de 1976, depois de 34 dias, a Hokulea entrou em Papeete. Ben Finney, no livro Hokule'a: The Way to Tahiti (Hokulea, o caminho do Taiti), de 1979, conta que cerca de 17 mil pessoas esperavam no porto.
A tese do acaso perdeu força naquela tarde. Uma canoa feita no molde antigo, guiada só por olho e corpo, chegou aonde mirou.
Mau não ficou para a festa. Cansado das brigas a bordo, voltou de avião para Satawal, e a Hokulea fez a viagem de volta ao Havaí com instrumentos. Entre os tripulantes do retorno estava um jovem havaiano chamado Nainoa Thompson.
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